
A recente capa da famosa revista alemã Focus tem esquentado os ânimos na Europa, e esta dando o que falar em todo o mundo. Dessa vez não foi por nenhuma foto sensacional, senciacionalismo barato ou manchete espetacular na capa, e sim por uma montagem eletrônica. A vítima dessa montagem é a famosa escultura Vênus de Milo, estátua encontrada no século 19 na ilha grega de Milos e hoje exposta no Museu do Louve, em Paris. O monumento que não tem mais os braços, e é um dos maiores símbolos da arte grega, aparece mostrando o dedo médio aos leitores acompanhada da manchete: “Traidores na família do euro: a Grécia está matando a nossa moeda. E Portugal, Espanha e Itália”. O motivo de tanto alarde é a situação crítica da economia na zona do euro.
Nos últimos meses a Grécia entrou no noticiário mundial. O país não conseguiu reduzir seu déficit que hoje gira na casa dos 12% e não vai resolver seus problemas sozinhos. Uma ajuda econômica aos gregos é inevitável e a missão cabe aos alemães e franceses, países mais ricos da zona do euro. O provável resgate a Grécia irrita a Alemanha, que ainda se recupera da crise econômica mundial. Além dos gregos, que estão no olho do furacão, outros países que utilizam o euro são criticados por especialistas econômicos. Eles formam o PIGGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), que em inglês significa porcos, uma gíria ofensiva aos cinco países que integram a periferia da zona do euro e enfrentam problemas econômicos e sociais, como estagnação da economia, rombos no orçamento e alto índice de desemprego.
A capa da publicação alemã especializada em negócios foi reprovada em toda a Europa. Diplomatas de países do continente criticaram a revista e a acusaram de preconceito. A capa revoltou os gregos e rendeu uma reunião no Ministério das Relações Exteriores de Atenas. Nos últimos dias a imprensa alemã apertou suas críticas aos gregos, a quem acusam de serem os responsáveis pela crise da moeda no continente.
Fica mais uma polêmica no ar – A impressa pode emitir opinião de forma crítica e dura ou deve limita-se apenas a informar o leitor?
Via: Folha de S. Paulo